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30 abril, 2009

Todos


Quantos cansaços são possíveis?
Quantos cortes aguenta uma emoção?
Quantos arcos-íris suportam a escuridão?
Quantos sonhos sobrevivem a dilapidação de ideais?
Quantas vezes é preciso mentir para ser levado a sério?

Quantos são os números que te vestem?
Quantos são os degraus para a depressão?
Quantos são os momentos necessários para a desilusão?
Quantas são as sentenças para acabar com um coração?
Quantos são os quantos para deixar de se querer tanto
sonhos não sonhados e temores irrealizados?

Quantas são as mulheres habitantes de cada homem e suas histórias?
Quantas são as mulheres que se habitam em vez de passear como invólucros vãos?
Quantos? Quantos? Quantos?

Quantos são os quantos para livrar-se de tantos quantos?

Tatiana Mamede.

Agradecimentos à Aninha pela ajuda htmlística, na escolha da vitrola e, especialmente, no título! 
 
Deleite-se ouvindo Stone free - Eric Clapton

28 abril, 2009

Desalento


Foto:Photodisc

Abismos namoram o útero.
Seu produto é vacilante, não caminha, saltita,
Nem vê a mesa que termina abrupta
E cala o eco dos sorrisos.

Não vês? É o fim, e ainda nem houve começo.
Olha pro outro lado, respira aquele ar,
Desimpregne-se destes feitiços
Sedutores vãos da vida recém nascida.

Abra os olhos perfeitos, há todo
um universo que clama atenção
Ele gira, e dança, e pisca e nada!
Não lhe faz menção.

Por que cortejar o precipício?
Ainda não é momento de experimentar este perigo.

Aferre-se à minha mão. Deixa caminhar contigo.
Os passos são somente teus, o caminho deles será feito.
Mas deixa-me calçar-te os pés para que sinta as pedras,
Para senti-las e percebê-las sem perderes os dedos
Sem vender a alma, sem morrer antes de viver...


Tatiana Mamede.

Agradecimentos ao Miojo pela ajuda ortográfica.

Deleite-se ouvindo Falling down - Duran Duran

22 abril, 2009

Inválida


Foto:Stone


Suas garras metálicas
Envolvem-na de todo
Não há paz ou gritos
Apenas o desassossego deste frio
Serpentino que enregela
Quaisquer conexões

Com fervor ígneo espalha-se
por dentre os elos
Da tranquilidade esmaecida
Pela rigidez latente de
Fluxos interrompidos

Rotas e obstruídas
Veias proclamam-se vazios
Dutos entupidos
Sinapses entontecidas
Garras, amarras, dentes
Sobre ela, dentro dela
Nada apazigua a Besta-Fera
Que nela se encerra.

Tatiana Mamede


Deleite-se ouvindo Migraine - Puddle of mudd

Sim, tenha apenas um pouco de paciência, assim que a guitarra torniturante acabar a música se inicia....

19 abril, 2009

And that is all

"[...]E no final fica tudo no mesmo
Porque afinal eu sou vazio e desejo[...]"
Isabella Taviani, em 

Melissa Auf der Maur - Taste you


18 abril, 2009

Delicada


Foto:DAJ
Abarcar o mundo com os olhos
Conseguir impregnar-se da beleza
De tantos tons interpostos 
Compartilhar a unicidade da respiração 
Das metamorfoses dela emanadas

Abraçar com as pernas tantos caminhos
Tantas opções, quantos desvarios
Apresentando-se pelo destino
Entrelaçar com o corpo todo o sensorial

E ainda assim tudo me escapa 
Escorre como o Tempo 
Esvai-se no vento...

Nunca hei de possuir-me a contento.
..............................................................................

Da falta de completude surge uma plena
Fragmentada e amada Mulher 
que me espreita pela janela.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Sobre o tempo - Nenhum de nós

15 abril, 2009

Supernova


Foto:Flyckr

Fazes de estrelas as tranças do meu cabelo
Enche-me de céu por inteiro
Não almejo plenitude
Já tenho teus cometas em meus olhos
Teus planetas em meu cinto
Teus buracos negros em meus brincos

Brinquemos de constelação
Reinventemos o Universo
Façamos de abóbada todo o chão
Sob nossos pés caos e vastidão
Além de nossas mentes serpentes 
Dançam em profusão

Entrenós, entremundos, entremeios
Sob a relva descansa o Céu por inteiro.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo No universo dos teus olhos - Ira!

09 abril, 2009

Golden Moon





Em suas mãos o Ouro encarnado
Senhor de tantos corações
Em seus cabelos o Ouro sépia
de tantos quantos já pisaram este chão
Em seus olhos o Ouro violáceo
Somente aos seus amantes permitida a visão
Em suas mãos o Ouro etéreo
Amálgama de dimensões.

Aos que clamam suas benesses
Aos que choram seus consolos
Aos que sonham compartilhar seu brasão
Em vosso interior focai, aí Ela está.
Acordai! Nos muros e campos, 
nos espelhos e neles não
Em todos os cantos e vazios
Ela espalha o Ouro de sua criação.

(Are you feeling yourself?) 

Deleite-se ouvindo Caravansary - Kitaro

08 abril, 2009

Intempéries



No início foram eras de silêncio.

E do Corpo fez-se o Verbo.
Então tudo se exprimia em cores, texturas, odores, sons e sabores.
O sensual se expandia, enredava teias, delas fugia.

E antes da ausência de cansaço,
o silêncio tornou-se mais uma vez do Reino o Senhor.
Eram vozes soturnas, odores acres, ásperos semidoces.
De incompleto emudeceu-se o Corpo.

Houve chuva, relâmpago e nenhum trovão.
Sem aviso apareceu a expressão de sorrisos.
E o Coração tornou-se Rei deste Chão.
Perdidas estavam as Palavras corporais,  
suas experiências nem ao solo faziam sombra.
Ausente, deixou apenas uma aridez de lágrimas tomada.

Expandindo-se, o solitário senhor de emoções
Urgia de significado
Aproximava-se do Vento, acalentava o Fogo, 
alimentava a Terra e derramava-se à Água.
Inútil, se o concreto lhe faltava.

Outra vez, o silêncio. 
Denso, pálpavel, inexpugnável.

Trovão, arrepio, eclosão.
O que sonhava tormento, dormia emoção
De si mesmo usurpado
Retorna, inteiro, de corpo e coração unos
Numa Alma verbo, luz e canção.

Tatiana Mamede.

Com muitos agradecimentos e beijocas na Tia Nika pelo apoio!

Deleite-se ouvindo Breathing - Lifehouse

06 abril, 2009

Desvio?


Seus olhos trazem um contundente sorriso enigmático
Cheio de entrementes e potenciais.
Seus lábios são não só um mar, 
e sim todo um Universo indecifrável e convidativo.
Suas mãos, portais. Serão descaminhos a germinar? 
É toda uma pele que desassossega
Todo um olor de alarde...
Há perigo ou deleite por toda parte?

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Farol dos mundos - Zé Ramalho 

Obs.: A RádioUol não roda em Google Chrome.

05 abril, 2009

Palavras IIII


Foto:Stone

A palavra que cala é a mesma que pelos veios do mundo se acasala.
Predadora, caça, tantas vezes somos apenas cadeias de palavras.

Parece-me necessária apenas porque 
com a habilidade de conhecê-las ao mundo vim
E se aos meus olhos não se pudessem nutrir
De minhas mãos não pudessem sair
Se de meus tímpanos não fizessem morada, 
ainda assim inevitáveis seriam as palavras em mim.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo A dança das borboletas - Zé ramalho com participação do Sepultura.

03 abril, 2009

Sem nome?


Em algum momento há de desaparecer
A ausência, a incontinência lacrimal,
O desvio de sentido.

Em algum instante a dor se transmutará.
Será algo mais palpável e cintilante que lágrima
Mais sorriso, mais confiança.
Clareará a consciência, far-se-á presente o significado.

Em algum lapso temporal metamorfoseado
Reaparecerá o sentido escondido do símbolo
Descortinado nesta presença ainda relutante 
Dos muitos eus que há em mim.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Hóspede do tempo - Zélia Duncan

Palavras ao chão



Palavras atacam-nos em profusão...
Como ser sem o mostrar?
Como demonstrar sem explicitar?
O que  se esconde de oculto nada tem, 
reverbera, entrincheirado numa vã tentativa
de fugir da claridade plena
das rosas em maço, dos abraços, dos lugares desejados,
estes que nada dizem do embaraço de ser somente o que se é.

Aceitação?, palavras jogam-nos no chão...
Vazias de significados, grávidas de estereótipos
Paridas de preconceito, ferem-nos as palavras.

Dormimos, acordamos, mas olhos abertos só depois do desatino.
Perceber, acolher, enfim aceitar e
reconhecer a pura beleza.
E não mais nos acovardarmos frente as palavras.

São elas agora o alimento da dor que nos devorava.
Plenas e paridas da alegria de sermos todas 
E apenas uma.

Tatiana Mamede e Carolina Garcia, em alguma tergiversação no msn em  2008.

Deleite-se ouvindo Luz dos olhos - Cássia Eller, escolha da Carol, e aproveite para se deleitar aqui também, com Plush, Stone Temple Pilots, versão acústica, minha opção.