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30 junho, 2006

Frêmito

Foto: Donata Pizzi

Sobre as pedras,
Os pés.
Entre eles, o sangue.

Sob o vestido,
a pele.
Entre eles, o suor.

Sobre os olhos,
as pálpebras.
Entre eles, as lágrimas.

Sobre os dentes,
a boca.
Junto a eles, o espelho.
E no espelho, o corpo inteiro,
Vazio de companhia,
Cheio de vida e desejo.

Sôfrego de saudades.
Dos toques não vividos.
Das sensações
Não sofridas.

Sentindo esse beijo
Não realizado a lhe fremir os seios.
Entorpecer-lhe a mente.

Perdendo-se em devaneios.
Amando-se de corpo inteiro.

Tatiana Mamede.

Malhado e Cecília Lóes contribuíram com a escolha da foto e o som da vitrola.


Deleite-se ouvindo Please send me someone to love - Sade

Lar


Foto: Tony Anderson

Primeiro a pele
Mexe-se de uma maneira
Quase imperceptível.
E então os olhos
Enchem-se de um brilho,
Uma cor, uma luz...
Magnetizante.

O nariz se posiciona,
arrebita-se levemente.
E. quando menos
se espera, são lábios
Abrindo-se, revelando
Alvos dentes escancarados
Numa única expressão de prazer.

Ah!, esses movimentos sutis transformam
Um minuto qualquer de um dia de mesmice
Em dádiva, glória e alegria.

Não há mais batalhas
Ou entraves
Intrigas ou preocupações
Capazes de me entristecer,
Quando você me brinda assim,
Com esse seu sorrir.

É um feitiço, uma armadilha
Feita pra me tirar da tediosa
Tarde dos meus pensamentos sem cor
É o meu esteio, minha chave de casa
Esse seu sorriso é a entrada da minha alma.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Home - Depeche Mode




29 junho, 2006

Reviver



Foto: Digital Vision

O tudo me incendeia
dilata minhas veias
e injeta em minha alma uma essência
Um quê de mim

de outros tempos.
Gostos de beijos esquecidos
embaixo do travesseiro...
Um coração leve, arteiro
Cheio de esperanças.
Tempo de esquecer-se do tempo
De brincar no vento.
Cantar sem ritmo
de anseios plenos,
realizados.
Tempo de viver nascendo
No seu abraço.

Tatiana Mamede.


Deleite-se ouvindo

Rua Ramalhete - Tavito

Melody Horta contribuiu com o som da vitrola.

28 junho, 2006

Meios tons

Foto: Gary Isaacs


Esses tons de cinza
adornando o céu,
traduzem o tempo de recolher-se,
der ser menos um pouco si mesmo.

Esses meios tons
não alegram nem aquecem.
Tampouco entristecem.
Apenas são.
E o são sem graça,
sem zombaria e sem galhardia.

São tons de deixar-se só,
de abandonar-se à negação.
Entender? Para quê?

São os tons que dizem pra chorar,
Lamentar, enlutar.
A companhia perfeita, o Indagar,
parece ter
outros compromissos.


Esses cinzas,
que podem ensinar,
que não motivam,
que deveriam traduzir almas,
e fecham olhos.

São gritos da alma...
Esses meios tons.
Do desespero de não querer
reconhecer o Ser
que já desponta no horizonte
Esse desconhecido,
ainda inimigo...
Diferente
e por assim apresentar-se,
temível.

Ah, mas em breve
Ele estará habitando o mesmo abrigo.
E então, os meios cinzas, quase sempre brancos,
tantas vezes negros,
não terão lugar,
e o novo já será
a mais nova faceta
do seu viver.


Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Down em mim - Cazuza & Barão Vermelho


24 junho, 2006

Mãos


Foto: Tony Catany

Mãos que anseiam,
guardam, guiam.

Mãos que brincam,
movimentam, desatinam.

Mãos que escrevem, rasgam,
rebelam-se.

Mãos que alimentam,
acarinham, levantam.

Mãos que derrubam,
comprazem, satisfazem-se.

Que sorriem amores,
Secam lágrimas,
E aliviam dores.

Mãos que se apaixonam.
Que se aninham,
acariciam e sonham.

Mãos, mãos, mãos...
Posso morrer nas minhas.
Mas prefiro adormecer nas suas.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo I try - Macy Gray

23 junho, 2006

Anônimo

Foto: Eryk Fitkau

Tempo pequeno
para bater no seu ombro,
cair no seu papo,
ficar no seu colo.

Sentir os meios tons de tê-lo
por crédito, aluguel e débito.

Não estar, não ser.
E ainda assim permanecer.
Anônimo prazer.

Caminhando no tempo perdido
das brincadeiras inconseqüentes,
dos abraços nada inocentes,
dos beijos ardentes...

E em meio
à fumaça envolvente
Sumir. E reaparecer.
E em outro pequeno tempo
deixar me perder.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Solidão que nada - Cazuza

22 junho, 2006

Amigos


Foto: Patrick Sheandell O'Carroll


Existem amigos e amigos. Alguns sempre ao nosso lado, outros nem sempre.
A maioria faz uma passagem por nossas vidas, iluminando nossos rostos. Alguns vêm e vão por longos períodos. Mas basta olhar e eles sempre estão ali, ao nosso lado.

Aos meus amigos, que me encorajaram a colocar as asinhas de fora obrigada é pouco.
Nada menos que o meu amor é o que ofereço.
Pelo apoio.
Pela alegria.
Pelas eventuais broncas. Mas acima de tudo pelo constante Carinho.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Ain't no mountain high enough - Whoopi and The Cast (Back in the habit)




21 junho, 2006

Nada Mais

Foto: Barnaby Hall


Seu corpo

contra a parede

Suas unhas no meu mamilo

Um sussurrar de respiração

Seus dentes na minha nuca

e o licor da tua boca

O baque surdo do seu corpo no meu...

E minha mente se desfaz

numa espiral em explosão

E nada mais.

Tatiana Mamede.


Deleite-se ouvindo #1 Crush - Garbage

20 junho, 2006

Guerreiro


Foto: Jonnie Miles


Ilusões alimentam os seios,

esses descansos do meu guerreiro

tão pequeno, tão menino, tão forte e

tantas vezes ladino.

É um repouso regado a sonhos

cristalinos,

verdejantes de espera

amarelados de espera

avermelhados de espera

Rubras são as faces que

sorriem para o guerreiro,

pálidas, as mãos que o suportam.

O púrpura batimento de aguardar

a chegada da espada,

das mãos calejadas e da face

daquele que foi a morte...

Tão pequeno, tão menino, tão forte

e tão triste guerreiro,

faz seu regato dos meus seios de ilusão,

alimente-se da minha espera.

Prepare-se para a nova guerra.


Tatiana Mamede.


Deleite-se ouvindo Love Warriors - Tuck & Patti

19 junho, 2006

Fogo

Foto:Michael Wilson


Fogo abrasa

e cala.

Provoca levante.

Mais fere que protege.

Respeite-se o Fogo, que

Intensifica veres.

Liberta poderes.

Consome veias.

E de tanto tecer

as chamas da vida

nos olhares escondidos

entre as labaredas, o

Fogo enleva.

Enfeitiça.

E constrói novos caminhos.

Faz andantes

perdidos entre o arder

e o consumir,

que caminham assim

No fogo de mim.


Tatiana Mamede

Deleite-se ouvindo Fire - U2

16 junho, 2006

Pela luz dos olhos teus


Foto: Andrea Sperling

Composição: Tom Jobim

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar

Meu amor juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar

Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais la ra ra ra...

Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar

Ai, que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar

Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só pra me provocar

Meu amor juro por Deus
Me sinto incendiar

Meu amor juro por Deus
Que a luz dos olhos meus
Já não pode esperar

Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais la ra ra ra...

Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor e só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar
Precisa se casar, precisa se casar



Deleite-se ouvindo Pela luz dos olhos teus - Tom Jobim

15 junho, 2006

Ser

Foto: H. Armstrong Roberts

Esperar que o coração desacelere,

que a alma acalme,
que o corpo não trema,
que com sua chegada, tome-os nos braços...

que os lábios selados,

Acorde-os...

E trilhe o caminho profundo

do espelho dos olhos seus.
Neles encontrar o futuro,
reconhecer o presente, notar o passado.

Enxergar o fomos,
o somos e o teríamos sido.

E da tristeza de ser o que não haverá,

Saber-se inteira

E pronta para o que há de ser.


Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Poema - Ney Matogrosso

Amigo

Foto: Terry Deroy Gruber


Amor de amigo é bom.

Amor de amigo segura a onda

e solta correias.

Amor de amigo não

mede conseqüências.

Já nasce cheio de abrigo.

Amor de amigo permite voar

e cair, e levantar, e olhar pro céu,

e ver estrelas, e borrar a maquiagem

e fazer viagens.

Permite até que se seja

o tal do eu mesmo,

sem ter muita vergonha disso.

Permite o choro, o riso, o grito.

E nessa vou,

repleta de amores de amigo.


Tatiana Mamede


Deleite-se ouvindo Meus bons amigos - Barão Vermelho

14 junho, 2006

Descortinar


Foto: Stephen Wallis

Tudo quieto.

Respiro seu nome...

E ressôo como o Sol

Ou a Lua

Tudo quieto.

Caminhando, esbarro em você

Insatisfeito desejo, vejo-me num vão

De desespero. Aonde? Tudo quieto.

Respiro seu nome...

Com a mão espalmada

recupero minha alma.

Ainda tudo quieto,

e você já não é mais nada.



Deleite-se ouvindo Isobel - Dido


Poema a quatro mãos por Tatiana Mamede e Cecília Lóes.

Meu Corpo

Foto: Paul Vozdic

O meu corpo é pergaminho

cheio de histórias minhas e outras.
Meu corpo é só marcas
Alegrias. Tristezas. Primeiras decepções.
Infinitos amores. Vidas criadas.

É ninho.
Para meus filhos, amigos,
amantes, para o meu ego menino.

É vale frutífero, montanha fecunda,
rio caudaloso,
riso profundo, gozo insano,
é vida e morte
a todo instante.
É levante, arruaça, brilho e ventura.
Meu corpo é só loucura.

Tatiana Mamede

Deleite-se escutando Sobre o tempo - Nenhum de Nós.