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27 agosto, 2008

Véu



Eu cito, recito, regurgito.
Crio, desnudo, mato e renasço.
Terra, fogo, água e ar,
Em todos Me encontrará.
Sou caminho, de trevas e luz.
Seu duplo uno triplo.
Seu poder e sua dor.
A colheita e seus frutos.
A morte e seus defuntos.
O ar e seus venenos.
Os olores e sensações.
A purificação e putrefação.
Sou tudo. Sou nada. Lua e estrada.
Sou sua morada.

Como fera, lupina e
instintual e benfazeja,
Circundo, mateio, trago-lhe no âmago.
Como estrela, companheira imaterial,
crio, inspiro, dou a você o Espírito.

Quando escura alimento seu medo.
Instigo-lhe a coragem dos noturnos.
Coloco nos seus pulmões o soturno primordial.
Faço-lhe completar o oculto
Caminhar do seu próprio mundo
.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Path - Apocalyptica

01 agosto, 2008

Blur


Foto: The Image Bank

Música em branca tela
Recortes de um dia embrulho
Sem relevância, porto inseguro...
Momentos de ser intempérie, sono, riso e ódio.

Instantes pedem o corte da garganta pustulenta do tempo arredio,
Destas vidas fugidias disfarçadas de alegria,
Tenebrosos disfarces humanos.

Rotas interpretações de um novo mundo
De outra essência, novas tendências.
Invólucros vazios encenando um abjeto rito.

Não há boas novas, virgens terras ou compaixão.
Venda-se agora ou passe o resto da semi-existência
Mendingando a todos o músculo pulsante.


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Tintas várias na melodia.
Despertares de novos dias.
Haverá música.
Inexistirão os tropeços dos anteriores dias.

Tatiana Mamede.

Deleite-se ouvindo Altered State - Sepultura